Músicas
“instrumentais” sempre me ajudaram a transformar pensamentos e emoções em
palavras. Acho que uma música sem letra permite que a interpretação seja mais
ampla e subjetiva, adequando-se, assim, à sensação que desejamos em determinado
momento.
Para
muitos dos meus textos, ouvia versões instrumentais de Richard Clayderman,
Henry Mancini e James Horner. De alguma forma, elas sempre me ajudaram a
expressar com menos dificuldade o que sinto. Possivelmente estou me repetindo,
mas volto a dizer: traduzir sentimentos em palavras é uma arte difícil. Pelo
menos pra mim.
O
problema é que entre minhas intenções e o leitor, relação que é intermediada
pelas palavras do texto, o sentido se perde, ainda que não totalmente. Acredito
que se as pessoas lessem o que escrevo, ouvindo o que eu ouvi no momento de
elaboração, o sentimento compreendido seria próximo do original, aquele que me
levou a escrever...
Mas
ainda não cheguei ao ponto de origem do meu texto. O título não foi colocado
ali por acaso. Acontece que hoje, 06 de setembro de 2013, passei o dia com uma
música na cabeça. Uma dessas instrumentais que mexe profundamente com qualquer
ser humano sensível. Alguns vão rir, outros vão me julgar idiota... a música
que me inspirou é do conhecido filme “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”, um
dos meus prediletos.
Descobri
hoje, em conversa com a “culpada” de não conseguir tirar essa música da cabeça,
Maria Eduarda, que há pessoas que acham o filme monótono e sem sentido. Uma
pena. A essas pessoas faltam sensibilidade e capacidade de compreensão daquilo
que não é óbvio. “Falta poesia!” – foram as duas palavras que usei para resumir
metaforicamente isso tudo. Não farei comentários sobre o filme. Sobre esse
especificamente não. É o tipo de obra que você deve apreciar e captar toda a
magia sinestésica transmitida. Vamos ao ponto...
No
final de 2007, comecei a namorar uma pessoa muito especial. O que sentia por
ela era inquestionavelmente forte e verdadeiro e cresceu com o passar do tempo.
A possível certeza de que foi amor, entretanto, só me ocorreu após o doloroso
fim do relacionamento um ano e dois meses depois. A essa época, éramos jovens,
imaturos e inseguros. Mas uma das poucas certezas que eu tinha era do meu
sentimento por ela.
O
tempo passou, deixamos de nos ver, falar um com outro... mas não a esqueci. E
talvez nunca consiga. A questão é que depois dela, não mais senti algo tão
forte e certo por ninguém. Será que desperdicei a minha única chance?
A
confissão é simples: sinto falta de amar. A cada dia, mais me parece que perdi
essa capacidade e isso me deixa profundamente triste. A verdade é que tenho
afastado todos aqueles que se aproximam, chegam perto demais. É contraditório,
sinto falta daquilo que tenho medo. Medo de amar, de me envolver, de me dedicar
a um sentimento que pode, no fim, me fazer sofrer (mais uma vez).
Estou
sendo dramático, eu sei. Mas sou um
deslocado no espaço-tempo, inapropriado para o padrão atual. Paciência. Sou
antiquado, idealista e, em certa medida, romântico. A dinâmica de um
relacionamento funciona para mim de forma diferente, que acho não convir
tentar, sem expectativa alguma de sucesso, explicar aqui.
Coincidentemente,
parei de escrever esse texto para assistir “((500) Days of Summer)”. Filme
bastante apropriado para esse momento, que, por motivos de óbvia identificação,
entrará na lista dos preferidos. Eu e Tom (protagonista do filme) temos
bastante em comum, a começar por essa “estúpida” crença no amor, que nos leva a
não aproveitar tanto a vida, sei que vocês entendem o que quero dizer.
Não
irei me alongar, são 3 da manhã e estou cansado (mas continuo ouvindo a melodia
de Amélie Poulain). Adianto as desculpas pelo fim meio depressivo a vir, mas
tentem enxergar a beleza das metáforas. Até mais.
Aqui ficam
registrados o meu grito no vácuo, o meu gesto no escuro, o pedido para que o
Amor volte a colorir os meus dias gris. Sinto-me pronto para amar novamente.
Ouça a música: http://www.youtube.com/watch?v=H7BRpmbfPk0
"Sans toi, les émotions d'aujourd'hui ne seraient que la peau morte des émotions d'autrefois"

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